#10: Documentário, real e mistério

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O espaço reservado ao mistério e até à magia num documentário é uma das grandes inquietações da criação cinematográfica contemporânea. Na sua sessão #10, o Shortcutz Guimarães debruça-se um pouco sobre o que tem sido a produção nacional neste campo com duas curtas-metragens em competição que cruzam o real reconhecível com lugares de estranheza. Os dois filmes são exibidos a 26 de Abril, na sede do Cineclube de Guimarães, na penúltima sessão antes da sua pausa de Verão.

O primeiro dos filmes em competição em Abril é “Atopia”, obra assinada por Luís Azevedo e Alexandre Marinho. Este é uma viagem ao encontro de alguém que não percebemos bem aonde pertence. É certo que somos capazes de identificar as imagens – ou pelo menos de tentar situá-las geograficamente –, mas quando conhecemos a sua personagem central, José António Baptista ficamos sem perceber se encontrámos alguém que é deste mundo ou sequer deste tempo. “Atopia” foi um dos nomeados para o prémio de Melhor Documentário em Curta-Metragem nos Prémios da Academia Portuguesa de Cinema de 2016.

Em “Condrong”, de Gonçalo Almeida, o espaço dado à estranheza é também amplo. Rodado numa pequena vila piscatória da Gâmbia, este documentário intrigante é habituado por uma entidade misteriosa que perceberemos que está entre a população daquele lugar. O título do filme é uma referência a um espírito que não consegue ser visto, mas cuja presença é sentida. A fotografia precisa e a opção pelo preto-e-branco – assim como o facto de ser inteiramente falado em dialecto mandingo – conferem-lhe um grau de enigma acrescido que tornam esta uma obra muito particular.

“Atopia”, de Luís Azevedo e Alexandre Marinho

“Condrong”, de Gonçalo Almeida

“Ao Lobo da Madragoa” e “Cabeça d’Asno”, de Pedro Bastos

#10 “Condrong”

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“Condrong”, de Gonçalo Almeida

11’, 2016

Realização e fotografia: Gonçalo Almeida

Edição: Ricardo Saraiva

Música: Andrea Boccadoro

Som: João Nunes

Sinopse: Uma entidade misteriosa assombra o povo da Gâmbia.

#10 “Atopia”

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“Atopia”, de Luís Azevedo e Alexandre Marinho

11’27’’, 2015

Com Alexandre Marinho e Jodé António Baptista

Captação de Som:  Ana Pedro

Imagem: Tiago Carvalho e Igor Martins

Montagem: Tiago Carvalho, Ana Pedro, Luís Azevedo, Igor Martins, Alexandre Marinho

Pós-Produção Audio:  Ana Pedro e Lara Bolito

Sinopse: Uma viagem ao encontro de alguém que pertence a nenhures. Um regresso impossível. Depois de onze anos passados na cidade, José António Baptista regressou à sua terra com o intuito de se dedicar à literatura.

Sessão dupla com Pedro Bastos

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O realizador convidado da sessão de Abril do Shortcutz Guimarães traz não um, mas dois filmes. O vimaranense Pedro Bastos apresenta “Cabeça d’asno”, a sua curta-metragem mais recente, apresentada no ano passado, e “Ao Lobo da Madragoa”, filme-homenagem rodado para a Guimarães 2012.
Pedro Bastos é artista plástico, argumentista e realizador. Os seus filmes experimentais são contaminados pelas múltiplas formas de expressão deste criador. “Cabeça d’asno”, interpretado pelo próprio, é uma reflexão sobre a própria ideia de criação. A obra parte de duas questões: Como surge a primeira imagem na nossa cabeça? e Quando uma imagem perde o seu significado original e se transforma numa outra coisa?

“Ao Lobo da Madragoa” também é esteticamente marcado pelo trabalho como artista plástico de Bastos, mas é sobretudo a palavra que aqui assume um papel central. O filme, comissariado pela Capital Europeia da Cultura, faz uma homenagem a António Lobo de Carvalho, conhecido como Lobo da Madragoa, um poeta satírico do século XVIII, nascido em Guimarães.

A exibição de “Ao Lobo da Madragoa” será uma oportunidade rara de rever um filme rodado em Guimarães durante 2012 e inaugura uma nova linha de programação que o Shortcutz pretende explorar este ano: resgatar as curtas-metragens comissariadas pela Capital Europeia da Cultura que ainda não forma suficientemente vistas. O filme de Pedro Bastos será exibido no seu formato original, película de 35 mm.

A exibição está marcada para 26 de Abril, às 22h00, na sede do Cineclube de Guimarães. A entrada é livre.

“Ao Lobo da Madragoa”, de Pedro Bastos

9′, 2012

Com Tânia Dins e Adolfo Luxúra Canibal (voz off)

Argumento: Pedro Bastos

Fotografia: Jorge Quintela

Montagem: Rodrigo Areias

Música: António Rafael.

Sinopse: Filme Homenagem ao Poeta Vimaranense António Lobo de Carvalho

“Cabeça d’Asno”, de Pedro Bastos

12′, 2016

Com Pedro Bastos

Argumento e Fotografia: Pedro Bastos

Montagem: Pedro Bastos e Ricardo Freitas

Som: Pedro Marinho e Pedro Ribeiro

Sinopse: Cabeça D’Asno é um filme experimental que parte de duas questões: Como surge a primeira imagem na nossa cabeça e, quando uma imagem perde o seu significado original e se transforma numa outra coisa.