Entre o país e a casa

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São abordagens sobre realidades de dimensões bastante distintas as que propõem os dois primeiros filmes em competição na temporada 2017 do Shortcutz Guimarães. Enquanto “O Encoberto” reflecte sobre dois mitos nacionais, D. Sebastião e Fernando Pessoas, “A casa ou a máquina de habitar”, faz uma viagem à relação individual que cada pessoa tem com o lugar onde vive. A curta convidada da sessão #08 é “Rei Inútil”, de Telmo Churro.

“O Encoberto”, de Tomás B. Cunha, é um “road movie” em que quatro amigos – entre os quais o próprio realizador – percorrem Portugal à procura de uma interpretação da Mensagem de Fernando Pessoa e do mito sebastiânico. É um romance platónico, em que Portugal procura a sua verdadeira identidade e que tal como foi para Fernando Pessoa há mais de 80 anos um apelo à mudança de atitude, é toda uma vontade de perder a inércia e apontar para um caminho maior.

Se “O Encoberto” é colectivo, “A casa ou a máquina de habitar” é um filme sobre os nossos universos individuais. Neste filme de animação, que parte de uma base documental, Catarina Romano reúne pessoas que falam em conversas e situações banais. São estas vozes que contam histórias mínimas que a imagem desnovela, desmultiplica ou faz respirar: ensaiam-se universos que são pessoas-casa (ou casas-pessoa), ancorados em caixas, corpos, segredos, desejos, olhares ou na efemeridade das matérias.
O filme convidado desta sessão é “O Rei Inútil”, curta-metragem que marca a estreia na realização de Telmo Churro. O filme conta a história de Tiago, um aluno repetente, finalista do ensino secundário que, apesar dos apelos apelar ao divino, vai novamente chumbar o ano. Entre mentir à benevolente mãe e ceder à tentação de uma viagem com a namorada, Tiago vai ter de tomar decisões.

A sessão #08 do Shortcutz Guimarães acontece na próxima quarta-feira, 22 de Fevereiro, na sede do Cineclube de Guimarães, pelas 21h45. A entrada é livre.

O Encoberto, de Tomás B. Cunha

A Casa ou a Máquina de Habitar, de Catarina Romano

Rei Inútil, de Telmo Churro

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#08 “Rei Inútil”

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“Rei Inútil”, de Telmo Churro – Curta Convidada 

25’; 2013

 

Com Bárbara Valentina, Fernando Rebelo, Joana Feijó, Manuel Mozos, Pedro Neto

Argumento e Realização: Telmo Churro

Fotografia: Mário Castanheira

Som: Miguel Martins

 

Produção: Luís Urbano, Sandro Aguilar, O SOM E A FÚRIA
Sinopse: Tiago é um aluno repetente, finalista do ensino secundário. Apesar de apelar ao divino, vai novamente chumbar o ano. Entre mentir à benevolente mãe e ceder à tentação de uma viagem com a namorada, Tiago vai ter de tomar decisões. Talvez Tiago não seja um caso perdido.

#08 “A Casa ou a Máquina de Habitar”

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“A Casa ou a Máquina de Habitar”, de Catarina Romano

12’20’’; 2016

 

Realização: Catarina Romano

Argumento: Catarina Romano, Cátia Salgueiro

Montagem: Catarina Romano

Som: Sílvio Rosado, Tiago Pereira

Música: Bernardo Devlin

Produção: Pedro Castro Neves, Modo Imago

 

Sinopse: Falam pessoas em conversas e situações banais, uma fala solta, descomprometida, embora às vezes tensa e tímida. São estas vozes que contam histórias mínimas que a imagem desnovela, desmultiplica ou faz respirar: ensaiam-se universos que são pessoas-casa (ou casas-pessoa), ancorados em caixas, corpos, segredos, desejos, olhares ou na efemeridade das matérias. Neste fluxo, acedemos a territórios instáveis, a lugares do ser em permanente construção – a casa interna de cada um.

#08 “O Encoberto”

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“O Encoberto”, de Tomás B. Cunha

21’16’’; 2016

 

Com Marcelo Tavares, Maria Lopes, Marta Salazar, Tomás B. Cunha

Argumento e Realização: Tomás B. Cunha

Produção: Maria Lopes, Tomás B. Cunha

Direção de Fotografia: Tomás B. Cunha

Direção de Som: Maria Lopes

Montagem: Tomás B. Cunha, Isilda Castro
Sinopse: D. Sebastião voltará, diz a lenda, por uma manhã de névoa, no seu cavalo branco. Se não aparece num cavalo branco, há de aparecer num twingo roxo. O Encoberto é um road movie em que quatro amigos apaixonados por cinema, seguem rumo à interpretação desta Mensagem de Pessoa e tentam mudar algo em si, desvanecer o mito de que nada muda e mostrar que para criar basta existir. É o desmistificar da lenda, só dependemos de nós para sermos quem somos, para que sejamos quem queremos, viajando fisicamente mas profundamente por nós mesmos. Um romance platónico, em que Portugal procura a sua verdadeira identidade e que tal como foi para Fernando Pessoa há mais de 80 anos um apelo à mudança de atitude, é toda uma vontade de perder esta inércia que nos contém e de nos empurrarmos a nós próprios para algo maior, para sermos maiores e melhores.

Telmo Churro e o regresso à competição

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O cineasta Telmo Churro é o convidado da sessão #08 do Shortcutz Guimarães, marcada para o próximo dia 22 de Fevereiro. O autor de “Rei Inútil” estará na sede do Cineclube de Guimarães precisamente para apresentar essa curta-metragem, que marcou a sua estreia na realização, em 2013. A segunda sessão do ano ficará também marcada pelo regresso dos filmes em competição.

“Rei Inútil” venceu a competição nacional do festival Curtas de Vila do Conde no seu ano de estreia. Depois de ter arrecadado outros prémios no circuito de festivais, esta ficção de 25 minutos foi também incluída na lista de filmes de referência do Plano Nacional de Cinema para 2016/2017. O primeiro filme de Telmo Churro como realizador conta a história de Tiago, um aluno repetente e finalista do ensino secundário, perdido entre um apelo ao divino, as dificuldades escolares, uma mãe benevolente e uma viagem com a namorada.

“Rei Inútil” está, porém, longe de ser a estreia Churro nos filmes. O cineasta trabalha desde 2000 sobretudo como montador, em filmes de João Nicolau (“Gambozinos”), Manuel Mozos (“Ruínas”) e Miguel Gomes (“Aquele Querido Mês de Agosto”, “Tabu” e a trilogia “Mil e Uma Noites”). Foi também assistente de realização de Nicolau em “A Espada e a Rosa” e Canção de amor e saúde” e é creditado como co-argumentista nas longas-metragens de Gomes. Um percurso sólido sobre o qual o cineasta conversará também com o público do Shortcutz na próxima sessão.

Antes disso, serão exibidas as duas primeiras curtas-metragens em competição na temporada 2017 do Shortcutz Guimarães. Ao longo das últimas semanas, a organização recebeu cerca de uma dezena de candidaturas, de entre as quais sairão estes dois primeiros filmes do ano.