Um olhar sobre Leonor Noivo

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O lugar entre os fundadores do colectivo Terratreme Filmes coloca Leonor Noivo no centro do meio cinematográfico nacional. Como produtora, é responsável por obras como “Ama-San”, de Cláudia Varejão, recentemente exibido pelo Cineclube de Guimarães, “Ascensão”, de Pedro Peralta, convidado pelo Shortcutz Guimarães no ano passado, ou “A Fábrica do Nada”, de Pedro Pinho, que recebeu o prémio da Federação Internacional de Crítica no festival de Cannes deste ano, no âmbito da estrutura criada, em 2008, juntamente com João Matos, Luísa Homem, Pedro Pinho, Susana Nobre e Tiago Hespanha.

Mas é para a sua obra como cineasta que o Shortcutz Guimarães pretende olhar, tendo selecionado, de entre a mais de uma dezena de títulos que já compõem o corpo da sua obra “A cidade e o sol”, ficção assinada em 2012 que tem uma mulher (Sara Gonçalves)  no centro da narrativa, juntamente com dois cães, numa casa de uma cidade. Ela reencontra nos gestos de um quotidiano a lembrança de quem partiu. O sol ofusca, torna-se agressivo e, como a morte, ela não consegue olhá-lo de frente, apenas o seu efeito nas sombras à sua volta.

O filme de Leonor Noivo será o convidado da sessão de Novembro, marcada extraordinariamente para uma quinta-feira, dia 23.

Em competição, estarão “Da gente se fez história”, primeira obra de Inês Vila Cova, premiada no Curtas Vila do Conde deste ano. É precisamente um filme documental sobre a comunidade piscatória vila-condense, a partir do arquivo do avô da realizadora, José Vila Cova, um humilde “caxineiro” apaixonado pela sua terra.

O segundo filme marca um regresso ao Shortcutz Guimarães. É “Laranja Amarelo”, de Pedro Augusto Almeida, que no ano passado foi premiado como melhor realizador por “Prefiro não dizer”, filme que recebeu também o prémio para melhor interpretação feminina, pela prestação de Tânia Figueiredo Dias. O novo filme de Pedro Augusto Almeida é uma ficção sobre dois jovens, Tiago e Sofia, não se vêem há mais de dois anos.

A sessão acontece, como habitualmente, às 22h00, na sede do Cineclube de Guimarães, com entrada gratuita. Nessa noite serão também exibidos os últimos dois filmes em competição na temporada 2017 e que ainda são elegíveis para os prémios a ser entregues a 20 de Dezembro.

“Da Gente se Fez História”, de Inês Vila Cova

“Laranja Amarelo”, de Pedro Augusto Almeida

“A Cidade e o Sol” de Leonor Noivo

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#14 “A Cidade e o Sol”

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“A Cidade e o Sol” de Leonor Noivo | Curta Convidada 
16’; 2012

Com: Sara Gonçalves; António Fonseca
Realização: Leonor Noivo
Imagem: Rui Xavier
Som: Joana Pinho Neves
Produtor: João Matos
Produção: TERRATREME Filmes

Sinopse: Uma mulher e dois cães, numa casa de uma cidade. Ela reencontra nos gestos de um quotidiano a lembrança de quem partiu. O sol ofusca, torna-se agressivo e, como a
morte, ela não consegue olhá-lo de frente, apenas o seu efeito nas sombras à sua volta.

#14 “Laranja Amarelo”

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“Laranja Amarelo”, de Pedro Augusto Almeida

10’; 2017

 

Com: Jorge Dias, Daniela Love, António

Argumento / Montagem: Pedro Augusto Almeida

Fotografia: Manel Pinho Braga

Música: Esfera

Som: Pedro Cruz

Montagem: Pedro Augusto Almeida

Produtor: André Marques, Pedro Augusto Almeida

Produção: Cinema Bocage

 

Sinopse: Dois jovens, Tiago e Sofia, não se vêem há mais de dois anos: Laranja Amarelo traduz os movimentos da sorte e os caminhos sem rumo.

#14 “Da Gente se Fez História”

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“Da Gente se Fez História”, de Inês Vila Cova
18’ 29’’; 2017

Realização / Argumento / Edição: Inês Vila Cova
Som: Hugo Ramos

Sinopse: Um museu, um livro e uma extensa compilação de arquivos é o trabalho de uma vida de um humilde “caxineiro” apaixonado pela sua terra Caxinas. A partir das suas imagens e som de arquivo, pretendo mostrar o tributo pelo qual José Vila Cova ansiava tanto por deixar terminado, para a sua terra e sua gente.

Júri do Shortcutz Guimarães 2017 anunciado

 

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Os nomes dos jurados que vão escolher os premiados da primeira temporada do Shortcutz Guimarães já são conhecidos. O júri de 2017 foi anunciado no final da sessão de Outubro e é composto por cinco pessoas: Luísa Alvão, Samuel Silva, Tânia Dinis, Rui Silva e Paulo Cunha.

Tal como é estabelecido no Regulamento do Shortcutz Guimarães fazem parte do júri dois elementos da equipa de organização deste evento, um elemento da direcção do Cineclube de Guimarães, parceiro local do certame, e dois convidados que trabalhem nas áreas do cinema, artes visuais ou multimédia.
Assim sendo, em representação da organização do Shortcutz Guimarães, têm assento no júri Luísa Alvão, produtora, e Samuel Silva, jornalista. O presidente do Cineclube de Guimarães Carlos Mesquita será outros dos responsáveis pela escolha dos vencedores.

É também jurada da segunda temporada Luísa Sequeira, programadora cultural e realizadora. Formada em jornalismo com especialização em realização de documentários. Começou a sua carreira na TVM, em Moçambique, e trabalhou mais de uma década na RTP, coordenando e apresentando vários projectos, entre eles o Fotograma, um magazine com mais de 100 episódios dedicado ao Cinema em língua portuguesa.

Desde 2010, faz curadoria Shortcutz Porto. Em 2012, começou a organizar o Super 9 Mobile, o primeiro festival de filmes mobile em Portugal. Em 2011, realizou “Porto sem Nó” o vencedor do Festival Internacional de Televisão do Rio de Janeiro, é também autora do documentário “Mulheres no Palco”, para a RTP, e co-realizou, com o artista Sama, uma série de animação para o Canal Brasil. Os seus projectos incluem os filmes “Os Cravos e a Rocha”, “La Luna” e, mais recentemente, “Quem é Bárbara Virgínia”, um documentário sobre a primeira cineasta portuguesa.

O quinto elemento do júri é Eduardo Brito. Trabalha em museologia, cinema e fotografia, tem o Mestrado em Estudos Artísticos, Museológicos e Curadoriais pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com a tese Claro Obscuro – Em Torno das Representações do Museu no Cinema. Pertence ao Núcleo de Arte e Intermedia do I2ADS da FBAUP.

Foi coordenador do Reimaginar Guimarães, projecto de arquivo, curadoria e edição de espólios fotográficos desenvolvido na Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Entre a escrita, a fotografia e o cinema, os seus trabalhos têm explorado os temas verdade-ficção-memória, bem como a relação texto-imagem: assim com o livro As Orcadianas (Grisu, 2014) e com as séries fotográficas 5 p.m. Hotel de la Gloria (com Rui Hermenegildo, 2015), Revisão e Un Samedi Sur Terre (2017).

Eduardo Brito escreveu o argumento dos filmes O Facínora (Paulo Abreu, 2012), A Glória de Fazer Cinema em Portugal (Manuel Mozos, 2015) e O Homem Eterno (Luis Costa, 2017). Realizou a curta metragem Penúmbria (2016).

Estes cinco jurados vão rever os doze filmes em competição na segunda temporada do Shortcutz Guimarães e escolher os vencedores das cinco categorias a concurso: Melhor curta do ano, Melhor Realizador, Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Argumento, havendo ainda a possibilidade de serem atribuídas menções especiais. O júri reserva-se o direito de não atribuir prémios nas categorias onde entenda que não foram apresentados trabalhos merecedores da distinção.
À melhor curta do ano será atribuído um prémio de 500 euros em dinheiro, mercê do apoio que a Câmara Municipal de Guimarães atribui à temporada 2017 do Shortctuz Guimarães. Será ainda atribuído um prémio do público, com base nas votações dos presentes em cada uma das sessões competitivas.

Os vencedores do Shortcutz Guimarães 2017 serão conhecidos na sessão especial de entrega de prémios, a realizar a 20 de Dezembro. Como habitualmente, a sessão terá lugar na sede do Cineclube de Guimarães, a partir das 22h00.

#13 O passado e o presente

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A sessão #13 do Shortcutz Guimarães faz-se com duas ficções em competição, que olham em sentidos opostos. Enquanto “The Last Morning” (“A Última Manhã”) é um comentário mordaz à forma como encaramos o outro, “78.4 Rádio Plutão” propõe o regresso a uma memória perdida da comunicação em Portugal, as rádios pirata que marcaram a realidade de várias cidades nos anos 1980.

“A Última Manhã” é escrito, produzido e realizado por Gabriel Mota. O pressuposto do filme é a forma como uma misteriosa chamada telefónica muda o que parecia ser só mais uma manhã quotidiana. O filme é também uma reflexão sobre os temos que vivemos, a forma como encaramos o outro, com o terrorismo e os discursos intolerantes como subtexto.

“78.4 Rádio Plutão”, escrito por Pedro Marques e realizado por Tiago Amorim, conta a história de Manuel e Alfredo dois amigos que têm uma rádio pirata num sótão numa casa da sua aldeia. A saída de um deles para uma rádio “a sério” põe em causa a continuidade da aventura e, sobretudo, a amizade entre os dois.

A curta-metragem convidada desta sessão propõe também um olhar para o passado. Em “O Retrato”, Cláudia Clemente viaja até aos anos 1940 para recuperar a história e a memória de um vimaranense que foi um dos grandes portugueses do seu

Abel Salazar – aqui interpretado por Miguel Borges – é um cientista e artista plástico, perseguido pelo antigo regime, que tenta terminar um retrato, obcecado pela cara de uma mulher, Ana, uma jovem investigadora, que também sonha com ele.

O filme será o ponto de partida para uma conversa com Cláudia Clemente, criadora multifacetada, com obra na fotografia, literatura e videoarte, que desde “A mulher morena” (2008) desenvolveu um interessante percurso como realizadora, já com nove filmes realizados.

A sessão #13 do Shortcutz Guimarães acontece no dia 25 de Outubro, pelas 21h45, na sede do Cineclube de Guimarães. A entrada é livre.

Esta é a penúltima sessão competitiva da temporada 2017 do Shortcutz Guimarães. Nessa ocasião, será também divulgada a composição do júri que vai decidir os premiados deste ano e que será composto por duas pessoas da equipa de organização local do festival, um representante do Cineclube de Guimarães e dois criados que trabalham na área de cinema em Portugal. Os premiados serão divulgados numa sessão especial que acontece a 20 de Dezembro.

“A última manhã”, de Gabriel Mota 

“78.4 Rádio Plutão ”, de Tiago Amorim

“O Retrato”, de Cláudia Clemente | Curta Convidada 

#13 O Retrato”

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“O Retrato”, de Cláudia Clemente | Curta Convidada 

10’ 40’’; 2015

Com: Miguel Borges e Margarida Cardeal
Realização e Argumento: Cláudia Clemente
Fotografia: Jorge Quintela
Assistente de Imagem: Pedro Bastos
Captação de som: Pedro Marinho, Pedro Ribeiro, Carlos Nascimento
Montagem de Som e Mistura: Pedro Góis

Sinopse: Nos anos 40, Abel Salazar, um cientista e artista plástico perseguido pelo antigo regime, tenta terminar um retrato, obcecado pela cara de uma mulher.
Na actualidade, Ana, uma jovem investigadora, sonha com Abel. Ou será ao contrario?

#13 “78.4 Rádio Plutão”

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“78.4 Rádio Plutão ”, de Tiago Amorim

15’; 2017

Com Isac Graça, Rúben PêroRealização Tiago Amorim

Argumento: Pedro Marques

Produção: Daniel Tavares

Sinopse: Final dos anos 80, Manuel, um jovem locutor da Rádio Plutão, a pequena estação de rádio pirata que tem no seu sótão, pondera o abandono do projecto ao mesmo tempo que lida com a partida do seu colega Alfredo para uma rádio oficial.

#12 Olhar para trás com Salomé Lamas

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Salomé Lamas é a convidada de Setembro do Shortcutz Guimarães, que marca a rentrée da programação regular da mostra de curtas-metragens depois da pausa de Verão. Na sessão #12 propomos um olhar para um dos primeiros filmes da carreira da prolífica realizadora portuguesa, voltando a “A comunidade”, documentário de 2012.

“A Comunidade” propõe um olhar sobre o mais antigo parque de campismo de Portugal e foi o ponto de partida da preenchida carreira de Salomé Lamas, que tem mantido uma interessante produção à razão de dois filmes por ano. O mais recente, uma estreia na ficção, foi “Coup de Grâce”, estreado no festival de Berlim deste ano, passou pelo Curtas Vila do Conde.

Foi também neste festival que “A comunidade”, filme escolhido pelo Shorcutz Guimarães para introduzir a conversa com a realizadora lisboeta na sua sessão de Setembro, foi premiado, há cinco anos, com o prémio de melhor curta-metragem documental.

Na secção competitiva, o regresso ao activo do Shortcutz Guimarães depois da pausa de Verão faz-se com duas ficções. “A Instalação do Medo”, de Ricardo Leite é uma adaptação de um conto de Rui Zink que tem conquistado vários prémios na sua passagem por festivais, tendo recebido, recentemente, o prémio do público no FEST – Novos Realizadores, Novo Cinema, e o prémio Sophia estudante, atribuído pela academia portuguesa do cinema, no início deste ano.

Esta curta-metragem interpretada por Margarida Moreira e Nuno Janeiro é uma alegoria distópica de uma sociedade onde, sem pejos, dois homens batem à porta e anunciam: “Bom dia, minha senhora, viemos para instalar o medo”.

O segundo filme em competição é “Carga”, de Luís Campos. O filme passa-se numa pequena vila piscatória, onde dois rapazes são forçados a tomar parte activa no tráfico de substâncias ilícitas. Quando o mais velho prepara um plano de fuga, o mais novo vê-se obrigado a lidar com as adversidades de ser deixado para trás. A obra de Luís Campos recebeu este ano o prémio de melhor filme New York Portuguese Short Film Festival, entre outras distinções.

A sessão #12 do Shortcutz Guimarães está marcada para o dia 27 de Outubro, na sede no Cineclube de Guimarães, às 21h45. A entrada é livre.

 

“A Instalação do Medo”, de Ricardo Leite

“Carga”, de Luís Campos

“A Comunidade”, de Salomé Lamas | Curta Convidada